A vida não deixa nunca de ser uma coisa engraçada. Se não fosse assim também não teria piada. 

Em primeiro lugar, a chapadona que Portugal deu à França. 

Depois de todas as críticas - nunca construtivas, somente insultuosas - eis que os tugas vencem o Europeu e a arrogância de um e num país habituado a inferiorizá-los. Ninguém acreditava. A vitória (dos outros) estava garantida. Quando Ronaldo se vê forçado a abandonar a partida então é que qualquer réstia de fé se esfumaça. Ninguém acreditava mesmo! Ou se calhar, alguns acreditaram sempre. Fernando Santos, por exemplo. Eu não.

Ainda sobre Ronaldo. Não vou muito à bola com ele. Mas de bola ele realmente percebe e, mais do que isso, percebe de equipa. É um líder nato e muito embora tenha chorado lágrimas (que eu acredito terem sido de sangue) por não ter jogado mais do que 30 minutos, manteve-se sempre presente. Sobretudo na cabeça dos jogadores, que depois de perderem os pés do melhor do mundo, não desmoralizaram. Perderam os pés, mas não (nem nunca) o seu capitão. Ronaldo, mais do que jogar futebol. Intuitivo, empático, de levar tudo atrás dele, não às costas mas sempre ao lado. Tudo isso é Ronaldo e tudo isso é raro de se ver numa pessoa que é, realmente, o número um.

Para a História fica o jogo, o título, a taça, a cara de tacho dos franceses e a premonição do menino de ouro. Para a História fica o golo de Éder, o sofrimento dos adeptos, a Torre Eiffel que, manchada a vermelho e verde, não foi iluminada com as nossas cores por puro despeito, os sorrisos de quem lá estava e não estava mas, principalmente, o brilho de todos aqueles que, nascidos em Portugal, vividos em Portugal, existem em França diariamente e fazem lá o seu presente por motivos de força maior.

Podia criticar muita coisa. Sei que nos dias que se seguem não se falará de mais nada a não ser futebol. Em todo o lado, a toda a hora, no café, nos telejornais, na rádio... mas porra, nós merecemos!! Decidi pôr de lado tudo isso e abraçar apenas a alegria de sermos, pela primeira vez e contra tudo e todos, campeões europeus.

Subimos aquelas escadas não para receber medalhas, mas para beijar a taça. Isso ninguém nos tira. Levantaram ontem, de novo, o esplendor de Portugal.

Em segundo lugar... prefiro não dizer! Que seria da piada da vida se não existisse sempre envolta de algum mistério? ;)

Catarina Vilas Boas
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