Não vale a pena colocar aqui o vídeo da Maria Leal a cantar. Toda a gente já viu. Foi repetidamente partilhado nesse poço de gente perfeita que é o Facebook, palco das mais altas autoridades em tudo o que é temática. 

Sem excepção acompanhado de um qualquer comentário jocoso (para não dizer insultuoso), o vídeo da actuação da senhora na TVI gerou uma onda de polémica que só lhe trouxe benefícios. E ainda bem, só mostra que, apesar de tudo, ela não é assim tão burra como todos a pintam: soube aproveitar os limões que a vida lhe deu e fazer uma lucrativa limonada.

Antes de mais, convém dizer que a Maria Leal não é a única pessoa que não sabe cantar e canta. Para mim, há muitos artistas portugueses que não sabem cantar e cantam. Tomemos por exemplo Katia Aveiro e, numa onda mais séria, Pedro Abrunhosa que, muito embora considere um colosso no que a letras diz respeito, pouco mais faz do que sussurrar. É o seu registo. Assim como é o registo da Maria Leal não cantar e sim entreter. O Steve Aoki também não é DJ e enche discotecas e festivais por onde passa. Eu já assisti e confirmo: é um entertainer de alta qualidade. E ninguém, por mais que não goste, tem o direito de o enxovalhar. Ou se dá a esse trabalho... São gostos. Não se discutem. E por mais que admitamos que se lamentem, a realidade é que ninguém tem nada a ver com isso.

O problema é que Maria Leal é portuguesa. Não é irmã de um jogador da bola e tem o azar de não ser bonita nem boa. A Maria Leal não é mais feia que a Érica Fontes. Mas a Érica é boa e faz filmes pornô reconhecidos internacionalmente. A Maria Leal é aquela que andava com aquele do Secret Story que abandonou a Bernardina. Foi gozada por ela e por ele, múltiplas vezes, em canal aberto e teve o tempo de antena que a TVI permitiu. A TVI, mais uma vez...

Por isso, que lhe interessa que gozem com ela agora? Mais do mesmo? A Maria Leal ignora. E eu, dos vídeos, retenho a alegria dos velhinhos para quem ela actuou, a viver em lares escondidos aos quais os artistas que se dizem a sério não têm vontade de ir, porque as televisões lá não filmam e os cachets não compensam.

A senhora não faz mal a ninguém. Só ouve quem quer. A sua voz de cana rachada é melodia para muitos ouvidos e a sua presença sinónimo de um dia diferente e mais divertido. Não matou, não roubou, não enganou ninguém e mesmo que o tivesse feito, merecia ser julgada nas devidas instâncias e não em praça pública. É este sempre o problema do portuguesinho. A felicidade ou o sucesso dos outros incomoda-o. Aquilo que os outros fazem importa-lhe sobremaneira, especialmente quando isso não o afecta de maneira nenhuma. Porque a cantoria da Maria Leal não afecta ninguém. Mas toda a gente está afectada. E está entranhado no sangue e na criação do portuguesinho o instinto de a julgar.

No meio disto tudo, uma salva de palmas para o Rui Unas que, mais uma vez, mostrou ser um profissional e uma pessoa de valor. Quase nem parece português! Entrevistou a senhora no Maluco Beleza e ao contrário do que todos pensavam, tratou-a com dignidade, sem paninhos quentes mas com respeito, coisa que, devo frisar, a maior parte desses respeitosos jornalistas portuguesinhos não fariam. O preconceito falaria mais alto.

É o mal que assola a nossa sociedade e se vê em tudo. Mas a Maria está, claramente, a cagar-se para isso. Nisso é um bocado como eu: eu também me estou a cagar para isso. Para aqueles que ficam afectados pelas minhas atitudes quando elas são somente minhas e em nada influencia as suas vidas. Para o Facebook também... As pessoas têm a importância que lhes damos. A Maria - como eu - tem claramente mais importância do que a que os outros têm para ela. E quanto à Maria eu não sei, mas eu garanto que vou continuar a cantar. Sempre e enquanto me apetecer.


Catarina Vilas Boas
Voltei!! Depois de um período cavernoso de ausência eis-me, com um tema mainstream que, de resto, tem com certeza sido o mote de muitas estimadas a Fátima Lopes por essa blogosfera afora.

Não se apoquentem. Este post e uma espécie de renovação na continuidade. Não é porque agora decidi comentar as toilettes das famosas que deixei de ser toda eu uma indomável. 

É só que foi com uma galeria de fotos dessa afamada noite que a minha inspiração voltou. 

A ser sincera, voltou antes, com um texto que merece algum tempo de amadurecimento antes de ser publicado (tenham medo...). Mas hoje retornou. Algo inédito neste período de silêncio forçado. Porque se este blogue se remeteu ao silêncio não foi por não ter vontade de falar. Foi antes por não saber como o fazer. Andava aí com um bloqueio danado! Vinha aqui para o editor de texto e tentava, tentava... no final tinha meia dúzia de linhas que me faziam levar as mãos à testa e o rato até ao botãozinho da cruz vermelho.

"Fechar". Uma miséria.

E depois lá está, os meus textos até podem ser sempre uma miséria para os outros. Eu aceito isso. Não me rala. Mas se o forem para mim, esqueçam, não vai acontecer de verem a luz do dia.

Posto isto, estando a minha ausência justificada, visualizemos então aos trapinhos das famosas.



Da arte de como estragar um casaco e uns sapatos tão giros com um vestido acortinado. Vai à Levi's ó Jéssica! Lá a ganga é feita com Dyneema!



Ok. Com menos boobs à mostra também se aproveitava, mas que é que eu percebo de moda? Também me parece que a altura do cano daquela bota não favorece o comprimento do vestido. Um segundo olhar (menos focado nas boobs) e parece que a Taborda está a regar milho. E de certeza que é isso que a está a pôr nervosa porque a mulher encontra-se, claramente, a suar do bigode.



Corre o boato de que a Helena Isabel andou pelos cantos escuros da VFNO a abrir a gabardine e a mostrar-se como veio ao mundo. Que ela é linda sem make up, já Portugal inteiro sabe. Sem roupa, ainda vai a tempo de saber.



Não escolheria. Mas no final também conta a dose de risco que as pessoas correm nestes eventos. Afinal de contas, é a Vogue Fashion Night Out!! Parece-me que tudo pesado, dá um balanço positivo. À rasquiiiinha! Mas positivo.



Do pescoço para cima - metade pipi das meias altas, metade Alexandra Lencastre sem volume. Do pescoço para baixo nem sei que diga. Mas essa bota não, Xana!



Sem os pompons de Sailor Moon na cabeça, sem a pena e sem a rede de pesca no final do vestido, talvez se aproveitasse. Não dá para ver bem as socas, mas do que dá também é melhor o obscurantismo. É muito 'sem' junto, mas eu consigo fazer milagres com pouco. Aceita-se.



Cláudia, por mais que me custe dizer-te...não gosto! O casaco é tudo de bom. Mas com essa camisa não funciona. Até te aceitava da cintura para cima... se não fossem as calças. As calças estragam tudo. É a cor, é o tecido, é um tudo que me faz, com dor no coração, dizer-te que não gosto. Obrigas-me a tanta reticência, Cláudia! Pareces um desgosto de amor!! Não é bonito. Mas vá, porta-te bem! Beijinho.



Tá bom. Nada surpreendente mas também a isso nos habitua esta que é a Sónia Balacó. Simplesinha que só ela. Uma romântica. Sempre. Destaque para o bom sapato. Comprava fácil.



Mau mau Maria! Muito mau. Todo um equadramento de quarto de dormir: um pijama feito com o edredon acetinado que a nossa avó comprou naquelas carrinhas de leilões do St. António. Parece que estou a ver o homem de megafone na mão e boina na cabeça atrás de ti pelas ruas de Lisboa a dizer que lhe 'roubastes o preduto'.



GOSTO! Gosto muito. Usava. Parece-me tudo bem desde as cores, à estrutura dos tecidos, ao corte. Só passava ali umas toalhitas anti shine da essence na zona T da Sara.Ou isso ou avisava a maquilhadora para não caprichar tanto no iluminador. De qualquer das maneiras, isso não interessa a ninguém porque a cara lava-se. Nota 10 prá Sara.



Não, Iva. Simplesmente não. Não para uma Vogue Fashion Night Out. Para um funeral talvez... E essa cara, miga? Bem se diz e é verdade que os anos não matam mas aleijam. Há que pedir ao cirurgião para não esquecer o pescocito quando te der os retoques semestrais.



"Oh não! Um fotógrafo!". Até ela se assustou com a ideia de ver imortalizado este seu tributo à Lady Gaga. E o sapato menina? A Lady Gaga não anda com esse sapato!!



A Mariana Monteiro é sempre a mesma coisa em todos os eventos!! Tanto quer fazer que, no final, tanto faz. Mas atenção que é sempre um tanto faz com muita pele à mostra. É assim mesmo Mary! O que é bom é para se ver e ainda tá pra nascer o homem que diga o contrário!! A não ser o Newton... É que a lei da gravidade não perdoa e tu quase nunca usas soutien... Não aconselho.



É caso pra dizer que até fico paneleira dos olhos... Ele que é isto? Não sei bem mas também não quero saber.

Catarina Vilas Boas


A vida não deixa nunca de ser uma coisa engraçada. Se não fosse assim também não teria piada. 

Em primeiro lugar, a chapadona que Portugal deu à França. 

Depois de todas as críticas - nunca construtivas, somente insultuosas - eis que os tugas vencem o Europeu e a arrogância de um e num país habituado a inferiorizá-los. Ninguém acreditava. A vitória (dos outros) estava garantida. Quando Ronaldo se vê forçado a abandonar a partida então é que qualquer réstia de fé se esfumaça. Ninguém acreditava mesmo! Ou se calhar, alguns acreditaram sempre. Fernando Santos, por exemplo. Eu não.

Ainda sobre Ronaldo. Não vou muito à bola com ele. Mas de bola ele realmente percebe e, mais do que isso, percebe de equipa. É um líder nato e muito embora tenha chorado lágrimas (que eu acredito terem sido de sangue) por não ter jogado mais do que 30 minutos, manteve-se sempre presente. Sobretudo na cabeça dos jogadores, que depois de perderem os pés do melhor do mundo, não desmoralizaram. Perderam os pés, mas não (nem nunca) o seu capitão. Ronaldo, mais do que jogar futebol. Intuitivo, empático, de levar tudo atrás dele, não às costas mas sempre ao lado. Tudo isso é Ronaldo e tudo isso é raro de se ver numa pessoa que é, realmente, o número um.

Para a História fica o jogo, o título, a taça, a cara de tacho dos franceses e a premonição do menino de ouro. Para a História fica o golo de Éder, o sofrimento dos adeptos, a Torre Eiffel que, manchada a vermelho e verde, não foi iluminada com as nossas cores por puro despeito, os sorrisos de quem lá estava e não estava mas, principalmente, o brilho de todos aqueles que, nascidos em Portugal, vividos em Portugal, existem em França diariamente e fazem lá o seu presente por motivos de força maior.

Podia criticar muita coisa. Sei que nos dias que se seguem não se falará de mais nada a não ser futebol. Em todo o lado, a toda a hora, no café, nos telejornais, na rádio... mas porra, nós merecemos!! Decidi pôr de lado tudo isso e abraçar apenas a alegria de sermos, pela primeira vez e contra tudo e todos, campeões europeus.

Subimos aquelas escadas não para receber medalhas, mas para beijar a taça. Isso ninguém nos tira. Levantaram ontem, de novo, o esplendor de Portugal.

Em segundo lugar... prefiro não dizer! Que seria da piada da vida se não existisse sempre envolta de algum mistério? ;)

Catarina Vilas Boas


Hoje decidi apanhar um banho de sol e, para dar início ao processo (que, adianto, não consegui levar a bom termo visto que em 5 minutos já suava como uma porca), escolhi um qualquer livro da estante aqui de casa, sem ligar ao título ou à sinopse. Estava numa de aventura. Sem paciência para escolher. Fui a ver e tinha agarrado "A Metamorfose" do Kafka. 

Logo na primeira página do livro fico a saber que Gregor Samsa, um caixeiro-viajante, acorda transformado num insecto gigante. Pela descrição deduzo que o Gregor fosse agora uma barata mas tal não parece preocupá-lo por aí além. O homem, em vez de ficar horrorizado, começa por descobrir as várias característica do novo corpo - as partes moles, a parte dura, a dimensão das patas, as dificuldades de movimento, o guincho que lhe substituiu a voz - intervalando a curiosidade doentia com doentios devaneios sobre as horas e o alarme que não deve ter tocado, o atraso para o trabalho, a família que o obriga a ficar preso nesse mesmo trabalho "só" por 6 anos, até lhes quitar uma dívida que têm para com patrão. 

Julgo nunca ter lido nada de Kafka. Já tinha ouvido falar dele. Sei que é alemão e uma breve pesquisa na internet fez-me perceber que a sua "Metamorfose" foi concluída em vinte dias mas demorou dois anos a ser publicada e acabou por ser a sua obra mais discutida e estudada. Percebe-se porquê. Em poucas páginas Kafka pôs-me a pensar. Em mim, em todos nós, na minha vida em particular e na vida de todos aqueles que me rodeiam. 

Assim como Gregor, também nós vamos acabando por ter uma espécie de impermeabilidade em relação àquilo que porventura pode mudar o quotidiano a que estamos habituados. Como Gregor também nós nos deixamos ficar, como o que temos e com aquilo que achamos ser a nossa sina, ignorando o que de fora nos vai tentando mudar, mesmo que o "de fora" sejamos nós próprios, o que passamos a sentir. 

Ignoramos aquele homem bonito na rua, aquela frase dos nossos pais, o facto de os nuggets do Mc Donalds não serem feitos de frango. Em vez disso, suspiramos por aquele actor da televisão, citamos palavras que pesquisamos no google e comemos os nuggets com molho de maionese e alho. Ou salsa. Eu acho que o molho mudou por isso opto pelo primeiro. Inventamos a desculpa de que nada poderíamos fazer porque ele tem namorada, os nossos pais são uns chatos, os nuggets são bons. 

É estranho. É estranho que um homem que acorda feito num insecto se resigne a isso mesmo e tente desesperadamente levantar-se da cama para não chegar atrasado ao trabalho, ignorando a sua metamorfose. 

Da mesma forma que é estranho, mas principalmente triste, que nos contentemos com uma espécie de felicidade que não passa de uma espécie de vida confinada a uma zona de conforto que nos impede de chegar mais longe do que isso. 

Mais triste ainda é que a culpa não é de ninguém a não ser de nós mesmos. Que por mais indomáveis que queiramos ser damos por nós envergonhados e amedrontados. Conformados. Como Gregor. Mas nunca como Kafka. Que escreveu uma obra em 20 dias do ano de 1912 e é lido e pensado, ainda hoje, em pleno 2016, por uma gaja que está de folga e quer aproveitar o sol.

Nem todos temos a coragem ou o dom de ser Kafka. Mas devíamos. 

Catarina Vilas Boas

A parte difícil de ser uma pessoa difícil é que quando somos fáceis as pessoas não acreditam que o estejamos a ser genuinamente, acabando por nos lograr os planos de uma convivência mais saudável.

É um drama. Pior ainda quando a pessoa com quem tentamos conviver é extremamente difícil também. Assim como nós. E também ela tenta, esporadicamente, ser mais fácil. Então duas pessoas difíceis entram numa espiral vertiginosa que, para além de desentendimentos, tem nela laivos de tentativas falhadas e ressentimento porque "Eu tentei" e não deu, de ambas as partes.

Mas tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Há que encontrar meios-termos, terras de ninguém, serões de tréguas no meio de uma guerrilha feita de mentes casmurras. Há uns anos atrás isso ser-me-ia quase impossível. Mas o bom da vida é que nos ensina muita coisa! E as pessoas difíceis também...

Os tombos são pontos de reflexão e a reflexão ponto de viragem. Estamos sempre a crescer e que seria de nós, pessoas difíceis, sem outras pessoas difíceis que nos dessem que fazer? Pessoas fáceis também fazem crescer. Mas não há desafio maior que tentar chegar a bom porto com uma pessoa difícil. É como navegar no meio de uma tempestade, com um barco já gasto e ancorado. Se ainda assim chegarmos lá - ao bom porto - é porque somos uns piratas do c*ralho.

Catarina Vilas Boas


Pode não parecer mas eu acredito no amor. Como poderia não acreditar, quando amo e sou amada? Como poderia acreditar se morreria e mataria sem pensar duas vezes por outro alguém que não eu? Claro que acredito no amor. Não é para o amor que eu olho com cepticismo. O meu cinismo não se alimenta de amor, mas sim das pessoas que o encaram com leviandade. Para mim o amor é uma coisa séria. É e há-de ser. E por isso mesmo não invoco o seu nome em vão. 

Há pouco amor no mundo. Mais do que uma crise económica vivemos uma crise de valores e o amor, um dos valores mais altos, teria obrigatoriamente de escassear. A falta de amor vê-se nas opiniões dos que são contra o casamento homossexual, contra a adopção homoparental, contra o acolhimento dos refugiados... Vê-se aí - nessas opiniões suficientemente aceites para serem expressas, sem medo, em conversas de café ou nos murais do facebook - a falta atroz de amor. A falta de outras coisas também se vê, entre elas a vergonha na cara e dois dedos de testa. Mas principalmente a falta de amor.

Vê-se a falta de amor-próprio. Nas mulheres e nos homens que se rendem a comentários negativos, aos padrões da sociedade, a relações a meio gás. Vê-se a falta de amor na forma como tratamos os animais. Ou como tratamos a comida, esse substituto largamente utilizado por aqueles que não estão bem. Quem diz comida, diz álcool, tabaco, sexo, e tudo o mais que sirva para preencher o vazio que essa falta de amor deixa para trás.

Mas apesar desse buraco, visível, negro, fúnebre, de meter dó, eu acredito no amor. Eu acredito em pessoas que se completam nas faltas de cada um, como peças de um puzzle. Eu acredito que estar sozinho, apesar de benéfico, pode aleijar a longo prazo. Eu acredito nisso tudo.

Mas eu acredito no amor a sério. Não acredito no amor a fingir. Amor a fingir há muito por aí, ao virar de cada esquina. Amor a fingir nasce como cogumelos na falta de amor-próprio, do medo de ficar sozinho, do receio das pessoas que perguntam se "já namoras?" e, calhando a resposta de ser negativa, finalizam com um "já está na altura...". Com reticências. Sempre com reticências. Como se fosse deles a escolha de nos colocar reticências na vida ou de lhe definir um "já" de prazo de validade.

O amor é importante de mais para ser fingido. E é raro de mais para ser encontrado muitas vezes na vida. Quem diz "amo-te" facilmente não é de confiar. Com sorte, somos amados pelos nossos pais. E quando somos amados verdadeiramente pelos nossos pais, raras são as vezes em que não os amamos de volta. O amor dos nossos pais é o adubo para o amor-próprio, um bocado maltratado na puberdade, mas capaz de sobreviver para contar a história de uma vida adulta. E o amor-próprio é a base de tudo, somente ele permite o amor a sério.

O amor não é passeios de mão dada, pôr-do-sol na praia e domingos no shopping. Não! O amor não são relações que duram 3 meses, nem sequer 3 anos. Não! O amor não são viagens e fotos no instagram, ou dedicatórias escritas a mel. Não são pulseiras pandora ou rosas de jardim.

O amor é crescimento e evolução. É alguém que nos faz querer ser melhor e abandonar o que nos faz mal desde o dia em que nascemos. Os defeitos que nos são inerentes e aqueles que nos foram impostos por outros: a arrogância, a teimosia, o orgulho, a desconfiança, o medo. Amor é baixar a guarda. Contar segredos que nunca se contaram, chorar em frente a alguém, perdoar o imperdoável. O amor é mútuo. E fiel. Tem que ser. Porque amor não é meramente sexo ou atracção física. Nem isso é capaz de o abalar quando são meras aflições humanas. O amor é mais. Vê-se mais. Faz mais. Por cada um.

O amor merece respeito. Mais do que isso, merece tempo. Para nascer, para crescer, para sobreviver. O amor merece de nós muito mais do que palavras.

Claro que acredito no amor. Não é para o amor que eu olho com cepticismo. O meu cinismo não se alimenta de amor, mas sim das pessoas que o encaram com leviandade. Para mim o amor é uma coisa séria. É e há-de ser. E por isso mesmo não invoco o seu nome em vão. 

Catarina Vilas Boas

EU SABIA!! Eu sentia cá dentro que este era o ano do DiCaprio! Mas depois também pensava "bem, eu já senti cá dentro em anos anteriores e nada, por isso mais vale baixar um bocadinho as expectativas".

MAS NÃO ERA PRECISO! Porque o homem ganhou! Finalmente, o homem ganhou. Depois de anos de evolução atroz e filmes de topo que nem pareciam feitos em Hollywood. A internet inteira uniu-se em wishful thinking e 6 nomeações e 23 anos depois, POR FIM, em 2016, Leonardo DiCaprio ganhou um Óscar. É um dia histórico, não só para o Leo que venceu a teimosia irracional da academia mas também para mim, por razões que escolho não esmiuçar para já mas que, adianto, nada têm a ver com os Óscares.

Parabéns ao DiCaprio. Parabéns a mim. 






May the odds be ever in your favor.
Catarina Vilas Boas


Vou-me embora. É triste ver o Porto assim.

Catarina Vilas Boas


Mas não deste ano. Do ano passado!! Vejam aqui mais ou menos o que foi a minha noite com o Legendary Tigerman. 

Hoje joga o melhor e eu vou ao Dragão. Se alguém me vir na televisão que avise. Mas só se eu estiver "xira" (lol).

#oportoéumanação
Catarina Vilas Boas
Acho que vou começar a procurar marido na biblioteca. Mas não é em qualquer ala, é nas estantes de Direito e Medicina. Ou nas de Biologia e Química. Línguas esquece, cancela. Para desempregada já basto eu e se uma gaja já está a pensar em encontrar marido é porque quer vida boa e tá por tudo.

Há muito moço bonito na biblioteca. Aqui há uns tempos deixaram-me um bilhetinho com um número de telemóvel no cacifo, mas aposto que esse não era giro. Ou se era, era parolo porque ninguém em condições faz uma coisa dessas. Mas depois uma gaja também começa a pensar: e se ele era mesmo giro e inteligente e tudo o mais e eu deixei escapar o homem da minha vida? Devia ter ligado!

Comecei a escrever esta lengalenga porque vi um gajo muito giro e ele entretanto sentou-se ao pé de mim. Se isto não fosse uma biblioteca uma gaja ainda metia conversa. Ou então não! Já ninguém sabe bater coros cara a cara sem estar bêbedo. Sóbrio só no Facebook. É a maldição das redes sociais. Eu pessoalmente nunca tive jeito para essas coisas, mas quem tem deve ficar muito chateado. Antigamente é que era!! Enganar meninas e desviar moças era uma verdadeira arte. Só paiadores de qualidade conseguiam. Agora não! Se alguém começar a meter conversa assim do nada desperta desconfianças em vez de paixões. São precisos uns likes numas fotos para aquecer o ambiente e depois um "Oi nice profile pic" no chat. A partir daí é uma questão de vontades.

E pronto,  entretanto o giro foi-se embora. A vida às vezes é mesmo triste!! Ou não! Porque a verdade é que uma gaja não quer marido, nem sequer namorado! Uma gaja quer um brinquedo para passar o tempo e depois da novidade quer outro que o último já não fascina  (ou não presta, ou está estragado). E assim faz a vida em modo repeat, com o pai preocupado a perguntar de vez em quando "o que é que é isso no teu pescoço?". Coitado! Tá morto que eu assente a ver se lhe dou um bocado de descanso. Mas não há jeito maneira!

As pessoas dizem-me que um dia isso vai mudar. Que "ahh quando encontrares aquela pessoa", "quando for vai ser a doer". Eu lá lhes abano a cabeça como quem finge que concorda mas cá pra mim que ninguém me ouve penso que não. Não me interessa. Não me faz falta. Não me imagino a.

A título da verdade devo dizer que aqui há uns tempos achei que estava apaixonadita. Mas dois dias depois já me tinha passado! E ainda bem porque ele é basicamente igual a mim e ia ser um problema dos diabos. 

Acho que nem todas as pessoas nasceram para isso. Para levarem uma vida a dois! Eu ouço-as a dizer que lhes faz falta o carinho e o companheirismo e não me identifico. Eu tenho tudo isso e muito mais dos meus amigos. E tenho algo que nunca terei numa vida a dois: liberdade. Pura, dura, total!

Catarina Vilas Boas

Os outros são 1h da manhã e já desligam a música ambience mesmo a expulsar o povo. Já para não falar do carioca de limão que é coisa para custar quase uns 2 euritos. Nem Super Bock! Nem shots de tequila! Nem tremoços! Nem rebuçadinhos de mentol, café e caramelo! Nem chocolatinhos! Nem canudos extra no cappuccino! Nem "oh meu amor, quando puderes traz-me o jornal"! Nem sala encostada ao balcão!

Já não me dou em mais lado nenhum! "Daqui a um mês deve estar pronto", diz ele. A amargura...

Catarina Vilas Boas
Que se até para mim, que os escrevi, são seca, que dirá para os outros!!

Catarina Vilas Boas
Tenho para mim que era lampião.


Jonas pistolas encravadas. AHAHAHAHAHAHAH!
Catarina Vilas Boas

Há pessoas que entram na nossa vida e que nos ganham imediatamente o afecto, sem nós sabermos porquê. Comigo aconteceu uma vez e eu nunca consegui explicar muito bem como é que foi possível, sendo eu uma pessoa extremamente desconfiada, ter-me tornado próxima de alguém assim tão facilmente.

Não estou a falar de amor! Acho que amar também é ganhar rapidamente afecto pela pessoa mas o amor explica-se. Bukowsky resumiu-o, e muito bem, a uma forma de preconceito. Nós amamos aquilo que precisamos, aquilo que nos faz sentir bem, aquilo que nos é conveniente. Para mim, Bukowsky era um génio...

Mas como é que se explica o porquê de determinada pessoa nos ser magnética ainda que não romanticamente? Como se explica o porquê de partilhamos coisas que nunca partilhámos com ninguém (nem sequer com os amigos mais chegados, de anos a fio) com alguém recente, sem dar por isso, sem que tal seja um suplício, uma tortura, um desafio? Como se explica o porquê de, independentemente de estarmos a fazer algo que não nos é natural, não o podermos considerar uma saída da nossa zona de conforto porque, na verdade, nos sentimos confortáveis ao fazê-lo?

Com essas pessoas de imediato afecto sentimo-nos sempre confortáveis, seja em que situação for, mas principalmente a sós, quando ninguém está a ver. O silêncio é confortável. As conversas desenrolam-se sem nós como um novelo colina abaixo. Os sorrisos são sempre puros e verdadeiros. É fácil olhar-lhes nos olhos durante minutos a fio, sem medo.

Mais uma vez recorro a Bukowsky para tentar explicar o porquê, até porque não me lembrava mais dessa ligação instantânea nem sequer me preocupava mais com as suas razões até ter lido o seguinte:


Nunca foi romântico. Mas era um ele. E quando é assim até nós começamos a duvidar da inocência do nosso afecto. Afinal de contas, a carne é fraca... Mas com estas palavras tudo fica mais claro, porque a definição de "free soul" não lhe podia encaixar melhor. E nem é porque me sentia bem ao pé dele. Mas sim porque ele sabe ser pessoa sem amarras, com total desrespeito pelas normas, pelo senso comum, pela etiqueta verbal. É como se a sua boca estivesse directamente ligada ao coração. Fala e diz tudo com a audácia de uma criança. Não entra em jogos. As coisas são como são e ele assume-as muito facilmente como tal sem se importar com quem ganha ou perde. E isso é refrescante nos dias de hoje em que toda gente quer superar toda a gente, até nas coisas mais simples que deviam ser aproveitadas como só isso.

Foi, sem dúvida, refrescante para mim, que vejo a vida como uma competição, perceber que existem pessoas neste mundo para quem os meus tratos e a minha postura à retaguarda chegam a ser parvos de tão desnecessários. Ele, para além de ser dos poucos a perceber isso, tinha também coragem para me ignorar descaradamente de volta. Uma atitude a que eu estou pouco habituada.

Infelizmente, quis a vida que eu e ele deixássemos de partilhar mais do que o ar que todo o mundo respira. Agora que olho para trás talvez não tenha sida a vida mas eu... Independentemente disso, continuo a nutrir-lhe um carinho inabalável e a ter a certeza de que, passe a água que passar pelo moinho, eu vou ser sempre um ombro amigo. E nem é por opção!

Talvez seja porque uma "free soul" é rara e entendo ser meu dever, depois de ter tido a sorte de a encontrar, preservá-la acima de toda a mesquinhez humana. Ou talvez, simplesmente, porque é mesmo assim e nunca ninguém há-de perceber realmente porquê. Nem eu.

Catarina Vilas Boas


Ela veste o 44 e vai embelezar as páginas da Sports Illustrated com aquilo que, ao que tudo indica, será um biquíni dourado. Palmas para a Sports Illustrated que na sua edição de verão dedicada aos fatos de banho escolheu modelos plus size e com mais de 50 anos. A beleza, meus amigos, é e será sempre subjectiva. Existe nas rugas, nos cabelos brancos, nas marcas, na celulite, nas estrias, na gordura localizada, nas cicatrizes, nas curvas, nos corpos de gente que vive dentro de alguém porque a beleza residirá sempre nos olhos de quem a vê.


Vá, isto também não seria um post à moda do Catarinalismo se não tivesse um laivo de realismo a cru. Pah, há gajos e gajas feias. Há-os! Eu, por exemplo, não sou propriamente a mulher mais bonita do mundo mas quando era pequena deus ma libre! A minha mãe diz que eu era linda.... Mas o que é que a minha mãe sabe?! Para ela eu também estou magrinha demais e isso não é uma verdade nem agora nem naquela altura em que gordura era formosura e sinal de riqueza! Aliás, ser endomorfo e magro hoje em dia é que é sinal de riqueza porque os produtos saudáveis estão todos pela hora da morte. O óleo de coco em promoção chega aos 7 eurinhos fácil! E uma gaja pensa "foda-se, vou masé fritar esta merda ao sol que é caloria 0 e de graça".

Mas enquanto para a gordura há remédio - gym e healty life style - para a feiura não. E isso é triste. Mas ao mesmo tempo é bom. Foi Bukowsky quem escreveu, em Tales of Ordinary Madness, que "A beleza é nada, a beleza não dura. Não sabes como és sortudo por seres tão feio, porque se as pessoas gostarem de ti, sabes que é por algo mais". E é verdade! Bukowsky é grande. Sempre foi e sempre será. 

Tá pra quem pode e não pra quem quer! 

Catarina Vilas Boas
Está a chegar o Dia dos Namorados. 

Lembro-me do do ano passado como se fosse hoje. Fui ver o Legendary Tigerman com um moço cujo nome para aqui não importa, em trabalho. Na altura mal o conhecia e aquela foi a primeira vez que fomos trabalhar juntos. Eu de jornalista e ele de fotógrafo. E lá estávamos nós, abençoados pelo S. Valentim, na sala de espectáculos, rodeados de casalinhos. Se fôssemos de ceder às pressões sociais tínhamo-nos apaixonado ali naquele momento. Mas como não éramos (nem somos) disso, passámos o espectáculo atentos ao Lendário Homem Tigre. 

Aposto que fomos dos poucos que repararam que o homem quase dava com os dentes nas tábuas do palco ao tropeçar nos fios da bateria. E no baterista, que no final de uma música em que deu tudoooooo amarrou na garrafa de água e na t-shirt que tinha despido, e passou-se a andar. Ficando o Tigerman a rir-se como um perdido em frente ao micro.

Eu não digo que eles estivessem sob o efeito de substâncias psicotrópicas. Parecia... Mas não, com certeza. Acho que há pessoas assim felizes nesta vida...

Lembro-me também, de nesse Valentim, ter chegado com incredulidade à conclusão de que os casais de namoraditos estão a ficar muito culturais. A sala estava a abarrotar! E isso é bom e bonito de se ver. De facto, é algo que mudou muito ao longo dos anos. Dantes os namoraditos ofereciam chocolates ou prendas. Agora não! Estão mais maduros. Decidem gastar o dinheiro num programa a dois. Vão jantar fora ou dar uma escapadela durante o fim-de-semana, senão lá fora, cá dentro. É um sinal dos tempos! Ou das carteiras. Não sei. Que é que uma gaja percebe do 14 de Fevereiro, afinal?! Não namorava na altura dos chocolates e não namoro na altura dos jantares e das escapadelas... 

Este ano vou passar o S. Valentim sozinha. Isso não me entristece. Como parece entristecer uma parte significativa dos mortais... O que me entristece é saber que amanhã o meu Porto vai ao galinheiro e muito embora eu morra acreditando (pelo Porto sempre, pelo Porto tudo), tendo em conta as últimas prestações (uma gaja ama mas não é cega) e o árbitro escolhido a dedo para apitar a partida, não se agoira nada de bom.

Adivinhem quem é que não vai ao facebook durante o fim-de-semana inteiro?! Adivinhem lá! E não, não é por causa dos namorados. Para esses tudo de bom! Para os mouros é que não. E eu tenho dois ou três na lista de amigos que só à bastonada no meio da testa. Uma gaja bem os oculta do feed e dá o unfollow mas aquilo ali é sarna que não desencarna e volta e meia lá me aparecem outra vez a meio do scroll. Ou pior: nas notificações.

Mas podia ser ainda pior. Podiam ser meus amigos a sério e aparecerem-me lá em casa. Credo!

Catarina Vilas Boas
... que são maus mas que uma gaja lê com carinho e sorri porque reconhece neles a inocência e jovialidade de outros tempos.

Esses também valeram a pena.

Catarina Vilas Boas
...que uma gaja lê e pensa: Foda-se! Tão bom.

São esses que fazem valer a pena.

Catarina Vilas Boas
Diz que hoje é o dia do crepe. É também o último dia de saldos, pelo menos na maior parte das lojas. É certo que a grande parte das peças que estão à venda neste momento são vulgos monos mas as mais persistentes ainda podem encontrar qualquer coisinha de jeito. É uma questão de procurar bem. Quem tem tempo para isso, deve aproveitar.

Eu estou para aqui a ler todos os artigos escritos na minha última incursão ao mundo do jornalismo. São muitos. 1055 para ser mais exacta. E a maior parte é de bradar aos céus... É incrível perceber como a nossa qualidade está directamente relacionada com o nível de motivação em que nos encontramos. Até mete dó!! Mas alguns hão-de aproveitar-se para o portfólio porque, afinal de contas, nem todos os dias foram mares de rosas nem todos os dias foram mares de espinhos.

Apetecia-me escrever aqui muito sobre o facto de quererem passar a classificar os filmes ou séries em que o povo aparece a fumar como para maiores de 18. Mas não. Vou apenas citar este excerto de um artigo publicado pelo DN (e escrito pela LUSA, claro está):

"De acordo com os Centros de Prevenção e Controlo de Doenças nos Estados Unidos, seis milhões de adolescentes começaram a fumar em 2014 depois de terem sido expostos a cenas onde aparecem fumadores e, desses, dois milhões poderão morrer de doenças relacionadas com o consumo de tabaco. Em 2014, nos Estados Unidos, 36% dos filmes classificados "para todos os públicos" tinham cenas com fumadores."

O DRAMA! A TRAGÉDIA! O HORROR!!
A culpa é do James Dean que sempre que sacava do cigarro fazia com que elas sacassem da cueca. 

Estudos da treta!! Eu, antigamente, via muitos filmes e muitas séries e fumava. Agora continuo a ver muitos filmes e muitas séries e não fumo. Quem quer fumar fuma e quem não quer não fuma. 

Já começo a ficar um bocadinho farta desta manufacturação de bodes expiatórios para retirar culpas a quem realmente as tem. Uma gaja vai-se rindo.

Uma gaja vai-se rindo que para chorar já basta o futebol.

Catarina Vilas Boas  
Nunca concordei com aquela teoria mirabolante de que as barbies impunham nas crianças um conceito irreal de beleza. Isso são merdas de adultos! As crianças não ligam puto. 

Eu sei que tinha imensas, não era parecida com nenhuma e isso nunca afectou a minha auto-estima. Nem me fez achar feias as mulheres que não são brancas, loiras e esguias. São bonecas. E bonecas não fazem os valores ou as percepções de ninguém.

Ainda assim não posso deixar de parabenizar a Mattel por ter adoptado outros modelos, mais baixos, mais curvilíneos e etc. Comecemos pelos brinquedos, já que nas televisões, nas revistas, nos catálogos e nos outdoors está difícil.

Afinal de contas, o problema sempre foi a Barbie. Os rasgos de hipocrisia da nossa sociedade nunca cessarão de me surpreender.



Catarina Vilas Boas
Depois de 1500 visitas à Zara lá consegui gastar o cartão oferta do maldito casaco que comprei online e que parecia um saco de batatas nas costas.

(Note to self: NUNCA mais comprar com cartão oferta. Depois uma gaja fica com o dinheiro empenado e tem que o gastar obrigatoriamente lá).

O que vale é que estamos em saldos e sempre deu para perder um bocado a cabeça sem perder muito na carteira. É que a Zara - perdoem-me as fashion girls por esta blogosfera afora - é cara como a m*rda. E ninguém me venha com coisas, a qualidade também é uma m*rda. A única coisa que safa aquilo é o design porque, a verdade é para ser dita, a Zara é sempre a primeira a copiar os grandes nomes da moda. Nisso ninguém a bate!!

Ir às compras sozinha na Zara é outra m*rda. Em época de saldos as funcionárias não vão buscar nada. "Só se for colecção" e pronto, uma gaja até percebe, são ordens.

Mas o que uma gaja não percebe são os tamanhos de lá. É que tão depressa um S está largo e há que recorrer ao XS, como o M está apertadíssimo e uma gaja tem que chafurdar na lama de pegar num L. 

Nas calças é igual: ora fico a nadar num 36, ora o 38 não me passa das coxas. Eu ainda tento fazer aquilo escorregar por lá acima, aos saltinhos feita acrobata escondida atrás da cortina do provador... mas não dá! Então pronto, a solução é trazer um S, um M e um L. Em épocas de saldo às vezes só há XS e L. E uma gaja escolhe um dos dois e depois vê que não dá e esquece-se que não havia M, então toca a vestir de novo e a procurar o tamanho que nem sequer existe em primeiro lugar. Um drama! Bufo por todo o lado! E no final: um montão de roupa que não se compra.

E o problema está mesmo aí. Nesse montão de roupa que não compro e que tenho que colocar no cesto à saída do provador. Parece o "walk of shame" de quando uma gaja anda pela rua, de manhã, com a roupa e a maquilhagem borratada da noite anterior. Para piorar a situação, eu vou sempre às compras de manhã, ou seja: não está lá quase cliente nenhuma e eu sinto-me mal por ser a única a dar trabalho às nojentas das funcionárias.

Eu sou uma cliente muito boazinha. Sou mesmo! Foi a minha mãe que me passou esses valores! Desde pequenina, quando ia comigo às compras. Agora que vou sozinha tento contornar a coisa (porque há funcionárias que não merecem) mas sinto-me tão culpada que não consigo levar os meus intentos avante.

Às vezes apetece-me deixar os cabides todos no provador e atirar com a roupa toda amarrotada para aqueles cestos que estão à saída. Mas acabo sempre a pôr nos cabides o que puder, dobrar o que não tiver cabide e a colocar tudo com muito jeitinho - como se aquela merda fosse feita de porcelana - no cesto.

Pareço outra pessoa! Tão educadinha... E, como disse, há funcionárias que não merecem. As da Zara, por exemplo, são dessas. Eu nunca vi daquilo, credo. Parece que foram escolhidas a dedo.

Eu sei, eu sei, as pessoas têm sentimentos e podem estar num dia mau. Pois na Zara estão sempre todas em dia mau. Às vezes questiono-me se a quantidade de estrogénio da mulherada que lá entra altera as hormonas de quem lá trabalha e elas ficam continuamente em período menstrual. Só isso explica a antipatia daquela gente. E atenção que eu não estou a falar de sorrisos. Um sorriso fica sempre bem no atendimento ao público, mas não se pode exigir isso às pessoas. Aliás, tenho para mim que na Zara isso deve ser ordem da gerência. Como elas são obrigadas a usar batom, se calhar a empresa decidiu instaurar a política de não mostrar a cramalheira para evitar aquela cena de se ver o vermelho nos dentes.

Não, eu não falo de sorrisos. Falo de educação. Se eu dou bom dia, boa tarde ou boa noite a alguém, espero que esse alguém me retribua. Eu, até ao meu pior inimigo, retribuiria um bom dia, uma boa tarde ou uma boa noite. Já aconteceu! Com azedume, claro está, mas ainda assim com cordialidade. Chama-se educação. Coisa que na Zara destes lados não existe.

Há excepções, claro. Há sempre. Assim recentemente lembro-me de uma rapariga que me atendeu na caixa da Zara do shopping que era muito simpática e que me respondeu em condições. Aliás, a mesma pessoa que para mim foi antipática e mal educada pode ser simpática e bem educada para outras. Eu já vi! E ouvi... Mas isso só acontece com algumas clientes. As seleccionadas. Aquelas que uma gaja lhes olha para a raposa pendurada ao pescoço e os brincos de ouro do tamanho de pires do café e percebe logo porque é que a funcionária se transformou em João Baião da candonga. "Ohhhh que lhe fica tão bem!". "Dá para qualquer estação!". "Está lindaaaa". Aquilo dá-me umas ganas tão grandes por mim acima que só me apetece abrir a cortina do provador, mesmo em soutien e cueca, e dizer à raçada de canixe da funcionária que se entrei na loja é porque tenho dinheiro para pagar!

Mas não. Trinco a língua, engulo o veneno e ponho a roupa toda nos cabides, dobro o que não tiver cabide, pego no que vou levar comigo e coloco o resto, muito direitinho, no cesto à saída dos provadores. E nessas alturas penso que o universo pode retribuir-me a superioridade. Se calhar, um dia, alguém vai ver o jeito que eu tenho para aquela merda e oferecer-me emprego ali, naquele momento. Enquanto isso não acontece, honro os ensinamentos da Mina, que ainda agora, nas raras ocasiões em que vamos as duas às compras, arruma a roupa toda que experimento.

Catarina Vilas Boas

"O sol, as praias e a hospitalidade são pouco distintivos. Há vários países com características semelhantes e, em matéria de clima, o nosso não é tão bom como o pintamos e anunciamos." 

O que distingue Portugal dos restantes, é que é mais barato. Somente isso. Desiludam-se todos aqueles que pensam que somos a jóia na coroa. Quanto muito somos um pedaço de pechisbeque à venda numa loja de chineses (qualquer uma à sua escolha, das 19872498598348 espalhadas em território nacional). 

E, atenção, não estou a dizer que não temos um país bonito. É lindo, sim senhor. Para "jardim à beira mar plantado"... Mas os turistas não vêm cá pela beleza, pela história, pela gastronomia ou pela arquitectura. Ou melhor, vêm, mas só porque é barata.

Catarina Vilas Boas
Lembram-se daquela música que aqui há tempos estava muito em voga e que tinha como tema "os maridos das outras"? Pois é. Deviam fazer uma dessas mas para os filhos das outras. Das mães, esse ser sempre iluminado e cujo amor se estima incondicional.

A minha mãe não teve a sorte de ter uma filha como as filhas e os filhos das outras. E ainda por cima só teve uma! Nem tentou à segunda. Acho que podemos dizer que se resignou à má sorte... Eu nunca fui como as filhas e os filhos das outras. Porque os e as das outras é que são!

Começaram a falar aos 3 meses, a andar aos 4, e aprenderam a usar o bacio em 2 dias. 

Nunca tiraram macacos do nariz ou coloriram fora das linhas. Cáries nem vê-las! "Sempre lavou os dentes. Todos os dias!" Pois, por isso é que cresceram com eles amarelos como uma gema de ovo e passaram a puberdade meio fanados. E a dentadura está torta por causa da genética, que os filhos e as filhas das outras nunca mamaram na chupeta.

Quando os filhos e as filhas dos outros faziam asneiras, em pequeninos, ouviam-se sempre as mães a dizer que "em casa não faz disto, está-se só a armar".

Tiveram sempre boas notas! Eram génios na pré e permaneceram génios até à vida adulta. Se essa genialidade não se verificava na pauta era porque eram muito distraídos, não tinham sorte com os professores ou os colegas eram os culpados ("É uma turma tão problemática...").

Os filhos e as filhas das outras nunca se portaram mal, nem faltaram às aulas ou responderam torto a um professor.

Os filhos e as filhas das outras não bebem álcool nem fumam charros. Nunca beberam. Nunca fumaram. Daquela vez que as mães lhes apanharam o isqueiro, a erva e as mortalhas era porque eles, tão bons moços, estavam a guardar aquilo a um amigo.

Se tiverem tido a sorte de nascer com pila então pode-se dizer que, realmente, nasceram com o cu virado para o céu. Porque se às filhas das outras tudo é permitido, aos filhos então é uma alegria! Assim de repente vêm-me à cabeça uma mão cheia de exemplos. Cresceram tolhidos. E a vida de crescidos tem-lhes corrido tão bem (ahah!).

Os filhos e as filhas das outras são pró-activos, sempre presentes. Os melhores do mundo, mesmo que já tenham erguido a mão para enfardar a mãe mais do que uma vez. Ou batido com o carro contra um esteio que está ali, no caminho para casa, há mais de 20 anos.

Os filhos e as filhas das outras são sempre os mais maduros. Cresceram muito depressa! Agora que arranjaram emprego (part-time, o primeiro da vida) matam-se a trabalhar, coitadinhos. Até tão tarde!! São uns e umas mártires (apesar de terem as mesmas horas de trabalho diário que os outros e ainda por cima serem de direita, que é como quem diz: não se deviam queixar porque "os sacrifícios são necessários" e agora vão FINALMENTE começar a descontar para isso).

As filhas das outras são virgens. Sexo? Não sabem o que é. E quando souberem não vão gostar, com certeza! Pornografia? Nunca viram. Masturbação? Pílula? Broche? Tudo coisa de galdéria que chega a casa de manhã.

Aiii os filhos e filhas das outras... Podia continuar aqui a dilacerá-los e las em genuidade por linhas e linhas. E que gozo me dava! Há tanto para dizer...

Mas termino com o apontamento que me fez escrever tudo isto. Porque o problema dos filhos e das filhas das outras são as outras - as mães.

A minha tem muitos defeitos mas é única. E não o é por saber muito bem o que tem em casa! Há muitas mães que o sabem e a minha nem sequer sabe tudo. Afinal de contas, uma gaja tem direito à sua privacidade e aos seus segredos obscuros.

Não. A minha mãe é única porque não é hipócrita como as mães dos outros e das outras. É uma mãe consciente. Tenho para mim que, como às outras, não lhe agrada quando falam mal de mim, mas quando é verdade remete-se ao silêncio. Afasta-se dessas mães prodigiosas e deixa-as destilar fel como se não tivessem veneno em casa.

Quando a minha mãe me defende é porque tem realmente razões para isso. É porque eu mereço indubitavelmente defesa. E o bom de ter crescido assim (a ouvir falar as mães dos outros e das outras e a saber como eles e elas são) é que eu não preciso de defesa.

O que elas dizem não me chateia. Pelo contrário: dá-me prazer. As palavras variadas e discursos veementes são a prova renovada da sua estupidez. Ignorância, idiotice... Chamem-lhe o que quiserem!

Eu, sentada, a sorrir por dentro enquanto as ouço do alto das suas lições de moral, só consigo pensar no mítico provérbio português: Vozes de burra não chegam aos céus.

E não chegam mesmo! Acreditem. Eu sei. Elas falam falam falam... E é deixá-las falar.

Coitadas. Não sabem melhor. 

Catarina Vilas Boas
Com tecnologia do Blogger.