Aquele momento em que te dói tanto a zona da omoplata direita que dás por ti a amaldiçoar todos os santos por não teres nascido esquerdina.

O que é estúpido, porque a dor só mudava de sítio.

O que eu queria mesmo era ter nascido ambidestra. O jeitaço que essa merda me dava prá vida!! Mas também já li que os ambidestros são mais sugestionáveis e se eu tivesse nascido mais sugestionável já não era "indomável numa sociedade enjaulada" e já não tinha este blogue.

E eu gosto tanto deste blogue!!

"Fora de brincadeiras" - como aquela geração 5 anitos mais velha do que eu costuma dizer - nunca sofri tanto na minha vida. A primeira coisa que vou fazer depois de entregar esta maldita tese é marcar uma consulta no ortopedista. E lá vou eu pró meio das velhinhas levar daquelas massagens de fazer sofrer um morto.

Vá, a título da verdade, a primeira coisa que vou fazer mesmo é beber uns shotzinhos de tequila. À minha saúde e pela minha saúde!! Não sei se vocês sabem mas a tequila faz bem à coluna. Aliás, tenho pra mim que a tequila faz bem a tudo, principalmente à alma. Foi posta na terra para bem do Homem. É um remédio santo!! Até já me sinto a salivar tamanha é a minha vontade de perder a cabeça. Ela, que não gosta nada de estar no sítio, anda tão triste... Precisa de desorientação para estar feliz. Tadinha!

E já lá vão 256 páginas. 
Tive que ir ver quanto é que isso dá, em livro, e fiquei impressionada.


O meu medo, agora, não passa por não terminar a tese a tempo. Eu tenho a certeza que vou terminar, e ainda me sobram dias. O meu medo é a revisão da minha orientadora e o feedback que ela me irá dar. Resta saber o que, destas páginas todas (e das outras que ainda vou escrever) se aproveita. E resta saber se terei tempo para proceder às respectivas correcções. Medo. Muito medo...

So help me God.
Catarina Vilas Boas


Vamos dormir que amanhã é dia de Portoooooooo! (Hoje também foi - AHAH - mas eu não pude ver o jogoooooo -.-)

Amanhã também é o dia em que acabo a análise dos Vistooooooos! So help me God nem que me deite às 6h da manhã. Mas acabo f*da-se! Perdoem-me aqueles que não sabem do poder liberalizador de um f*da-se.

C U LATER, ALIGATOR! Maybe not tomorrow, but the day after, I solemnly swear (quem não perceber a referência não teve uma infância/adolescência tão feliz como a minha, com certeza!!)


Numa outra nota, e como a música diz, não há outro amor na vida igual ao amor de mãe. A minha, pitosga como uma toupeira, lá me tentou ajudar a transcrever umas coisas no word. Só com um dedo. Enquanto eu analisei 8 artigos ela escreveu 5 parágrafos, se tanto!! Ainda assim, encheu-me o coração.

Catarina Vilas Boas


Aquela pausa entre "Vistos" pró instagram, pró snap e pró blogue.

Quem não dá a manhã, dá a noite. E eu sempre fui uma gaja de muito rendimento na noite!


Café como manda a dieta. Hmmm tão bom (not). E esta é a foto que prova que eu sou realmente uma gaja que se tá a cagar. Atentem que bonita que eu estou, no meu pijama cor-de-rosa cheio de borbotos. #nofilter #nomakeup #noshame #proudinmyskin #foreverfashion


Siga que esta vai ser longa.
Catarina Vilas Boas 
E porque gente mais sortuda do que eu (e mais organizada e responsável) vai poder sair e dançar e beber e deitar-se apenas e somente quando o sol raiar. Sozinha ou acompanhada!

Em modo repeat: 


Over and over and over and over and over
Catarina Vilas Boas 
Porque, por mais cliché que seja, há imagens que valem mais que mil palavras. E eu estou cansada demais para escrever.


Only 14 to go!!!
Catarina Vilas Boas 
Todo ele um gajo saudável, a comer uma maçã. E eu de cabelo preso, cara lavada, camisola de capucho, calças largas e a mamar cenoura como se não houvesse amanhã.

A cara dele não me é estranha. Tenho a certeza que é meu amigo no facebook. Ou ele ou o irmão gémeo (tenho ideia, também por causa do facebook, que o moço tem um irmão gémeo...). Mas e saber o nome para verificar? Tá queto!!

Estes assim giros não me põem bilhetes no cacifo com o número de telemóvel, com certeza! E se pusessem - com certeza também - já não tinham piada nenhuma.

Resta-me voltar ao trabalho. Não sem antes dizer: nooooooossa que bom braço!!



Bom ombro também...
Catarina Vilas Boas 

A quantidade de suspiros que se ouvem numa biblioteca dava para construir uma sinfonia.

É impressionante, há pessoas que, como eu, passam aqui o dia inteiro a ler, a sublinhar, a escrever, a teclar desenfreadamente - e não no chat do facebook como os comuns mortais, mas num simples e branco documento de word - e uma manhã inteira nisto, uma tarde inteira nisto, um dia inteiro nisto, qualquer que seja a duração da sessão, se for de mais de 30 minutos e for de trabalho, vai gerar suspiros.

Quando o silêncio está instalado - e o quanto eu adoro silêncio quando estou a trabalhar - é certinho que se vão ouvir alguns suspiros, por vezes largamente espaçados outras vezes quase uns atrás dos outros. E não são da mesma pessoa, atenção!! As pessoas que para aqui vêm trabalhar vêm porque não têm outro remédio se não trabalhar, e sabem disso, por isso mesmo, já suspiram pouco. Como eu! No início suspirava muito, agora só me permito um ou dois suspiros, dos pequeninos. Três no máximo e já a abusar. Isto porque suspirar gasta tempo e tempo é coisa que uma gaja já não tem de sobra.

Faltam poucos dias. Já não tenho uma noite de descanso: se não sonho com a tese, tenho pesadelos que me fazem acordar enregelada até aos ossos. E o pior de tudo é que eu sei que estou a sonhar - há muito que aplico uma técnica sobre a qual li há uns anos atrás que consiste em beliscar o pulso no sonho, se não doer, então é porque estamos a sonhar. É incrível a quantidade de vezes que já o fiz, o que só denota que estou meio consciente e se estou consciente não estou a descansar. O pior de tudo é que eu belisco-me belisco-me (só queria filmar essa merda para vocês verem como é ridículo) e sei que estou a sonhar e digo a mim própria para acordar e não acordo! É uma sensação impressionante, posso-vos dizer - é sentirmo-nos presos no nosso próprio corpo e viver o terror não só do pesadelo como da incapacidade de sairmos dele. Dito isto, mais vale não se beliscarem de todo e acordarem quando calhar.

Voltando à biblioteca. Para além das pessoas que vêm para aqui trabalhar, há também aquelas que vêm para aqui simplesmente para ver vídeos no youtube ou para fazer scroll no facebook. Como é possível alguém levantar-se às 9h da manhã para fazer isso é algo que me ultrapassa... E o pior é que há mesmo indivíduos que recorrem à biblioteca para esse fim mais do que uma vez por dia!

Não quero ser pessimista e pensar que essas pessoas não têm outra possibilidade de aceder à internet que não aqui. Não quero pensar nisso porque essa dedução obrigar-me-ia a concluir que essas pessoas não têm internet em casa ou, pior do que isso, não têm nem tablet, nem um computador, nem telemóvel com wi-fi que lhes permita aceder à rede sem fios gratuita espalhada por toda a cidade. Não quero porque isso é mau de mais. E nem é pelo princípio. É simplesmente pelo facto de uma gaja se estar sempre a queixar da p*ta da vida e se esquecer que, realmente, há pessoas com muito menos do que nós, que sequer têm a possibilidade de ter meia dúzia de coisas que nós temos como certas e indispensáveis.

Dito isto. Continuo na análise dos meus artigos de opinião. Já lhe dei um avanço a rasgar - principalmente porque me convenci novamente que o tempo escasseia e me deixei de preguiça e balelas - estou cansada mas contente por estar a arrumar com isto a um ritmo tão proveitoso. Espero terminar, no máximo, estes 68 até ao final da semana, e já com as devidas referências bibliográficas incluídas - essa é a parte que mais trabalho dá. Será que consigo? Acho que sim. Acho que isto da análise dos artigos é tipo o sexo - a primeira vez é desastrosa mas depois uma pessoa apanha-lhe o jeito e já faz esta merda com uma perna às costas. E sempre melhor que da última vez! E gosta do que está a fazer, que é um aspecto que convém muito, tanto no trabalho como no sexo.

Para melhorar as coisas, a minha orientadora respondeu-me. Eu tinha-lhe enviado um artigo para ela me dizer se eu estava a fazer as coisas direito e o feedback dela foi meio positivo meio negativo. Ela disse-me que a minha linha de análise lhe parecia correcta mas que não era de acordo com o two-step flow, mas sim com análise de discurso.

Wait. What? Eu fartei-me de falar do two-step flow na análise e achava que estava a fazê-la tendo em conta o modelo!? LOL E AGORA??

Bem, agora vou continuar a fazer o que estava a fazer. Se depois for preciso mudar o capítulo da metodologia que se lixe. A parte mais custosa é mesmo a análise dos artigos e se ela diz que estou a fazer a coisa bem vou continuar a fazer a coisa bem.

Vamos todos acender uma velinha pela Vilinhas e pedir a todos os santos que a minha orientadora tenha 30 minutos para estar comigo ainda esta semana. Já que estão numa de reza aproveitem e peçam-me uma noite de descanso. Eu juro que todos aqueles que me tiverem nas suas preces e no seu pensamento vão receber do Karma essa boa acção em dobro. Hell, até de mim recebem. É só identificarem-se.

Vou dormir. Amanhã é outro dia e eu ando com a pica toda. É aproveitar enquanto dura!! Tipo droga! Acho que é por causa do café que me ando a obrigar a beber. Eu não gosto de café nem bebo café e se calhar esta merda anda-me a esfrangalhar o sistema nervoso... Estou aqui com os olhos tão abertos que mais pareço um hamster virado ao contrário.

Nota-se muito?

Deixo-vos aqui dois exemplos do meu material de trabalho e notas aleatórias. 



Digam lá se não sou uma gaja organizadinha?
Catarina Vilas Boas
Vamos acreditar, por momentos, que essa história do Adão e Eva aconteceu mesmo. Vamos acreditar, por momentos, que somos todos descendentes desse homem pobre coitado, e daquela mulher tentadora que o aliciou a morder o fruto do pecado e condenou toda a humanidade a uma vida longe do paraíso.

Vamos acreditar nisso por momentos e reflectir no pouco ou nada que a humanidade evoluiu desde então. Sempre em permanente busca do proibido, sempre a desejar carnivoramente aquilo que não pode ter, aquilo que não tem, independentemente das consequências.

Eu, no meio da humanidade, sou das que evoluiu menos. Em constante procura da conquista, do inalcançável. E assim que conquisto, e assim que alcanço, perde todo o valor. Como ouro fosco. Sempre foi assim, desde os brinquedos em criança, aos homens em adulta. Se os tenho, já não os quero tanto assim. Se não os tenho, então quero-os desenfreadamente. O pior de tudo é quando as duas situações se dão em ciclo com o mesmo. 

Que tipo de pessoa sou eu? - forço-me a perguntar. Que rejeito alguém só para depois o aliciar de novo para perto de mim, e depois volto a rejeitar, ficando louca se por acaso não volta? Que tipo de pessoa sou eu? Que quero e penso a toda a hora e assim que tenho comigo a pessoa em quem penso já não a suporto ao pé de mim?

São pessoas, não são brinquedos. Mais do que isso, não podem ser caprichos meus.

E depois lembro-me (forço-me a lembrar) de quando fizeram de mim um capricho, de quando fizeram de mim um brinquedo, de quando fizeram comigo tudo isso que eu agora faço. E tento recordar a imensidão do meu sofrimento, agora tão longínquo - e ao longe tão minúsculo - mas que na altura me estilhaçou, quiçá irremediavelmente e para sempre.

Não deixa de ser irónico... aquilo que uma pessoa quebrada consegue fazer! E como consegue, sem muito esforço, disseminar a sua maleita nas outras pessoas. E essas pessoas, agora também quebradas, vão quebrar mais alguém. E esse alguém outra. E essa outra, mais uma. Ou duas ou três que, por sua vez, quebrarão outrem. É um ciclo interminável. É uma epidemia sem cura. E a culpa? É de quem?

Vamos acreditar, por momentos, que a culpa não é de ninguém. Que partirem-nos faz parte da vida. Que tudo está perdoado e que não há quem fique quebrado para sempre. Vamos acreditar por momentos, como acreditámos na história de Adão e Eva. 

E vamos tentar não quebrar mais ninguém.


Catarina Vilas Boas 


Bem sei, bem sei! Não tenho escrito nada. Mas não é porque não fiz nada. Muito pelo contrário. Tenho-me levantado muito cedo e, por isso, também me tenho deitado bastante cedo e sem forças para escrever o "diário". Basicamente, o que fiz nestes últimos 3 dias foi terminar de escrever o que tinha para terminar e iniciar a parte mais custosa da minha tese - a análise dos "Visto". Para isso vou assimilando as mensagens principais de cada artigo e respectivos temas abordados, mais uns subtemas e uns blas blas que para aqui nada importam. Como disso, esta é a parte mais trabalhosa desta dissertação e não tenho bem noção se a estou a fazer da forma correcta, sequer se tudo o que fiz até aqui o está.

Era muito bom que a minha orientadora me orientasse. Vou-lhe enviar um email amanhã, novamente, e espero que a resposta dela seja positiva. Sinto-me, mais do que iludida, com medo. Que não é algo que eu sinta ou admita todos os dias.

Medo de não ter tempo, medo de não entregar esta tese, medo de não a terminar, medo de falhar. 

Mas de nada adianta ruminar esse medo. Resta-me apenas trabalhar afincadamente e esperar o melhor. 

Esta é a altura perfeita para o karma me recompensar. Just saying...

Catarina Vilas Boas
E ao décimo dia, ela iniciou a análise dos artigos de opinião.

Não escrevi as biografias porque para isso terei que pôr o focinho fora de casa e hoje, com o belo do tempo que se adivinhava pela manhã, não foi o dia. Amanhã será, sem dúvida. Até porque os dias são sempre mais produtivos quando trabalho em ambiente de trabalho.

Mas iniciei a análise dos "Visto" e fiz uma tabela toda supimpa no Excel para me ajudar a anotar alguns dos pormenores da análise.

No meio disto tudo eu (que sou uma gaja que pensa muito até a dormir) sonhei que estava com uma professora (não a minha, mas uma) que não sei quem era mas sei que era professora e estava a contar-lhe a situação em que me encontro, sem poder contar com orientação, e eis que ela me diz qualquer coisa que eu achei muito importante e anotei avidamente no papel. Depois acordei. E não me lembrava o que era. Mas sei que era bom! E aquilo deve ter sido produto do meu cérebro pensador que nem à noite me dá descanso! E logo agora que isso me podia valer de alguma coisa PELA PRIMEIRA VEZ NA VIDA eu não me lembro o que era.

Fiquei mesmo chateada. Para não dizer outra coisa.

CO-RAGEM! Que amanhã é outro dia. 

De foto deixo-vos o Pedro Passos Coelho a rir-se no debate de hoje à noite com o Costa.


Catarina Vilas Boas

E pronto, terminei a contextualização, também a parte da introdução, dos objectivos e da justificação do modelo de análise. Amanhã vou especificar a amostra, definir líderes de opinião, inserir quatro pequenas biografias sobre os mesmos, e partir para a análise, a parte mais difícil.

Estou contente com o meu progresso até agora (afinal de contas, só passaram 9 dias e eu já fiz imenso) mas sinto-me desconcertada sem o feedback da minha orientadora. Nada me garante que não estou a caminhar no sentido completamente errado, nada me garante que o que estou a fazer está certo. Não era a primeira vez que acontecia - achar que as coisas estão a correr muito bem e depois ser surpreendida com a fria realidade de que não estavam, nem bem perto disso.

Estou desorientada e, o pior de tudo é que, a culpa é somente minha.  

Mas vou prosseguir. Parar não é a resposta. 

Outra coisa é certa: nunca mais me apanham na biblioteca aqui da terra. Eu nunca vi disto!! Apanhei três marmelos ao meu lado que estavam ali como se estivessem no café e nem todo o bufar do mundo parecia fazê-los orientarem-se e estarem calados durante 1 segundo. É uma biblioteca, afinal de contas, acho que é suposto haver silêncio! E eu preciso de silêncio para escrever. Se não precisasse não ia para a biblioteca!! Ainda assim sempre tenho a minha casa que, quando os meus pais não estão, parece uma igreja (mas sem os sinos). Fui para a biblioteca para fazer uso dos livros disponíveis por lá, mas depressa percebi que mais vale mesmo ficar em casa, porque nem sequer uma biografia do Francisco Sá Carneiro foi possível encontrar naquelas estantes. E eu procurei, procurei, procurei. Em vão. Mas encontrei a do Tony...à qual só me apetecia tacar fogo!!


No meio disto tudo, deve ter sido a primeira vez na minha vida que não cumprimentei nem sorri a um trabalhador. Aquelas funcionárias não merecem um "bom", quanto mais um "dia". E, com certeza não merecem ver sequer um dente meu. Tenho muito respeito por quem trabalha, seja em que for, desde a recepcionista, ao médico, à caixa do supermercado. Cumprimento e ainda desejo bom trabalho. No café peço por favor e digo obrigada e levo quase sempre a loiça que usei até ao balcão. Raios, eu até viro a roupa do lado certo e ponho-a em cabides quando saio dos provadores. Mas é para quem merece!! É para quem trabalha!

Não é para dondocas que abrem a biblioteca fora de horas e ainda ficam ofendidas quando uma gaja entra por lá adentro com cara de poucos amigos. Ladys que não levantam o traseiro de uma cadeira na recepção a não ser para coscuvilhar com as 'migas' dos outros andares, deixando as salas O DIA TODO sem supervisão e com utentes que desrespeitam por completo as regras de civismo e o trabalho dos outros. Aliás, elas também não respeitam nada nem ninguém, uma vez que as próprias se envolvem em conversas acesas que ecoam por aquele edifício moribundo como se fossem todas velhas moucas.

Santa paciência! São estas senhoras que dão mau nome aos funcionários públicos. Só estão ali a fazer monte. Quando eu for presidente da câmara vai andar tudo a piar fininho!!!

Ahah! Just kidding, tenho um passado muito negro que ia ser usado contra mim pelos meus opositores e há segredos que não quero ver desvendados na praça pública. No fundo, sou uma gaja cheia de mistérios. 

Agora vá, tudo prá cama. Vemo-nos amanhã!!

Catarina Vilas Boas 
Ontem tive uma festa de anos do lado da minha família paterna que, por sinal, mora bem longe de mim, e o dia foi gasto na viagem e na festa, com direito a muitas calorias e uma chegada a casa às altas horas da noite. 

Conclusão? Tese = 0

Hoje lá tive que voltar ao batente embora, confesso, sem vontade nenhuma nenhuma nenhuma. Mas nesta fase a minha vontade não manda nada (no máximo atrasa umas horas) e lá me arrastei até ao escritório aqui de casa, sem PC, com a televisão desligada, onde sentei o traseiro durante horas (com algumas pausas pelo meio) e li todos os artigos que havia recolhido - os pappers, não os do Expresso.

No início desesperei um bocado porque comecei a ler e fui abalroada por aquela sensação de "um boi a olhar para um palácio". Senti-me de tal maneira bovina que estive quase quase a chorar. Isto porque os pappers eram todos sobre o meu modelo de análise - a base de tudo. Ou seja, se eu não percebia onde encaixar aquela merda, nem estabelecia uma ligação com o meu tema, então como raios é que ia escrever a tese?!

Mas controlei-me e preserverei. Continuei a ler e, aos poucos, fui construindo uma linha de raciocinio e fui percebendo como e onde aquilo se podia aplicar ao meu trabalho.

No entretanto a minha orientadora está a tratar das candidaturas de mestrado deste ano e não tem disponibilidade para se encontrar comigo. A culpa é minha, portanto agora tenho é que me aguentar à bronca e arcar com as consequênciasidos meus actos. Isso e esperar pacientemente que ela tenha um tempinho para mim e para ler o que já lhe enviei. Enquanto não acontece, vou permanecer no trabalho, meio à toa, meio no escuro, mas a tentar, com todas as forças, não me afogar no abismo da desorientação.

Por agora vou celebrar o feito de hoje. Está tudo lido e sublinhado. Amanhã é dia de escrever.

Até às folhas se riem!!

Catarina Vilas Boas

  
Pronto. Terminei a contextualização. Podia já ter a apresentação do estudo de caso feito mas hoje fui atingida pelo bicho da preguicite aguda. Isso e o Som de Cristal (damn you Bruno Nogueira, damn you indeed)!

De qualquer das maneiras acho que dá para aproveitar a apresentação de estudo de caso que fiz para a cadeira de mestrado do ano passado. Resta saber se tenho isso guardado algures mas, se tiver, basta fazer alguns ajustes. Lá já tenho descriminada a minha amostra, o período de análise e o porquê da escolha. A única coisa que terei de acrescentar é o modelo de análise e especificar algumas coisas da amostra e está feito.

Conto tratar disso amanhã e ler também alguns dos artigos que tenho para aqui em inglês para ver se algum deles me explica o meu modelo de análise (e como fazê-lo). Two-step flow. Ouviram falar? Encontrar informações sobre isso é f*didíssimo portanto se ouviram falar, digam-me tudo sobre. Por favor.

Agora vou dormir. 

Não sem antes vos deixar uma foto do meu momento estúpido de pausa.
Sempre a pensar em vocês.

Catarina Vilas Boas




Estava com ideias de cortar o cabelo pelos ombros (e ainda não desisti) mas não tive coragem. Portanto pintei-o. E como eu sou uma gaja com a mania que é diferente decidi logo pintá-lo corajosamente de "violino" que é, basicamente, um nome chique que alguém decidiu chamar ao tom escuro de roxo. 

Está diferente, eu gosto. Acho que tem tudo a ver comigo - um se quê de loucura, um se quê de sobriedade - isto porque o roxo só se vê em reflexos, com ajuda do sol ou da luz, noutras condições parece simplesmente a minha cor natural (daí ter sido impossível mostrar ontem à noite o resultado e quase impossível mostrar hoje porque a cor teimava em não sair na fotografia). 

Agora vou voltar ao trabalho, que hoje o dia promete ser longo...

Catarina Vilas Boas 
Hoje estive quase quase para não escrever nada. Aqui! Isto porque o dia foi comprido e, apesar de bastante produtivo, exigiu muito de mim a nível mental. Escrever estruturadamente sobre algo com tanta informação à disposição é complicado: há que escolher, dar preferência em detrimento de. E como eu acho tudo interessante, tenho tido alguma dificuldade na filtragem. Mas aos poucos vou conseguir!

Fiz as correcções no material que já tinha sido revisto pela minha orientadora (que é SÓ a melhor do mundo e com uma paciência de santo) e prossegui na contextualização. Amanhã espero terminá-la e iniciar, pelo menos, o capítulo da metodologia de análise e da amostra, todas essas coisas que constam das primeiras páginas de qualquer dissertação de mestrado.

E como o dia foi produtivo e eu achei que precisava, cheguei a casa e relaxei um bocadinho. Brinquei com as minhas primas, vi uns episódios de uma série de comédia e ainda tive tempo para uma mudança de visual.

Nada de drástico! Mas amanhã mostro porque a noite não permitiu que eu tirasse uma foto demonstrativa.

Este foi também mais um dia de engorda. Não sei o que se passa, não consigo mesmo controlar-me! Estou sempre com fome! Acho que estou a precisar de arranjar um namorado... if you know what I  mean *wink wink* Ahah! Just kidding.

saudade

Catarina Vilas Boas 
Desisti de transcrever os artigos todos. Apercebi-me que o tempo que perderia naquilo não se justificava em termos de resultados, uma vez que o estava a fazer a bem da organização e nada mais.

É isto também fazer uma tese - tentativa e erro - sempre aprendendo.

Acabei por voltar a recorrer às fotografias, desta vez verificando sempre que a coisa ficava direita e com o cuidado de apanhar as partes mais complicadas da dobra. Fica aqui uma imagem para verem do que falo, porque tenho noção que talvez não estejam a ver bem a coisa. 


Os jornais estão encadernados, em conjuntos de vários números, portanto não dá para fazer milagres. Mas lá me orientei. Depois foi (só) editar as imagens, dar uns recortes e colocar tudo por ordem. Demorou imenso tempo e uma vez que me levantei às 8h da manhã, só me apetecia chegar a casa e dormir. Mas aguentei firme no intento e só descansei quando acabei.

Pelo meio descobri um livro que me vai ajudar muito na tese. Fala sobre a censura no Expresso e revela artigos que o lápis azul cortou. A cereja no topo do bolo? Há exemplares na Biblioteca aqui da zona - YEY! Queria tê-los requisitado hoje para amanhã trabalhar em casa, mas não tinha o cartão de utilizador comigo (e ainda bem que estou a escrever isto porque já ia outra vez sem cartão amanhã!!!)

E amanhã é outro dia, às 8h da matina a pé, para ser mais precisa. Ao menos levo a marmita cheia de coisas saudáveis para comer, a ver se controlo a alimentação que tem estado pela hora da morte...

Agora começa a parte difícil - estruturar, escrever, dar corpo à tese. Os inícios são sempre complicados para mim, mas quando começo ninguém me pára!! A ver vamos...

Wish me luck!!
Catarina Vilas Boas
30. 586 palavras ou 192. 549 caracteres ou 73 páginas depois, eis que transcrevi todos os artigos que tinha por aqui fotografados. Faltam alguns - aqueles que ficaram mal fotografados ou aqueles que, por culpa da curva da página, estão incompletos - por isso, amanhã é dia de Arquivo Municipal. 

Yey. Ó pra mim toda contente.

Tenho umas dores das costas e do pescoço dos diabos e cinco mordidelas daquelas bem grandes (a lembrar bolas de golfe) de um tropeteiro que pousou por aqui nas últimas horas da empreitada.

No entretanto, esta foi uma das minhas refeições do dia. 


Fora o resto - que incluiu um cachorro e uma fatia de pizza. Shame on me! Eu chamo-lhe "fuel for the brain" mas com este consumo de combustível vou acabar o mês com mais uns quilos valentes. Ninguém merece...

Oh well! Uma gaja tem que estabelecer prioridades. 

Catarina Vilas Boas



«O sr. Silva, cidadão do Mundo na década de 70, preferirá que a sua liberdade seja cortada, se lhe for garantido, em contrapartida, que a lei e a ordem velarão pela sua integridade física. Entre o risco de morrer e as limitações e proibições aos seus direitos como pessoa humana, o sr. Silva escolherá o controlo, a fiscalização, a subordinação aos poderes estabelecidos (e, logicamente, o reforço desses poderes, se eles o entenderem e desejarem). Entre a vida condicionada e obediente e a imaginação e a iniciativa próprias, o sr. Silva apostará na concessão de cada vez mais força àqueles que, em número cada vez mais reduzido são (para ele, sr. Silva, cidadão planetário) os bastiões da tranquilidade.

Não importa que os telefones sejam escutados, que, na rua e fora dela, os indivíduos sejam seguidos, que a correspondência seja violada, que os vizinhos espiem os vizinhos, que os amigos traiam os amigos, que a intimidade seja regularmente devassada. Para o sr. Silva, o que conta, o que interessa é que a autoridade seja respeitada e revigorada. Desde que daí resulte a protecção da sua rica vidinha.

Para o sr. Silva, o que conta é a manutenção do «status quo», a rotina casa-emprego-casa, o fim-de-semana-da-volta-dos-tristes. Os outros, os que se atrevem a tentar quebrar esta santa pasmaceira, são qualificados como atrevidos, oportunistas, ou adjectivo semelhante, que pela sua mera utilização e propagação, traga a paz à consciência colectiva e individual e abafe qualquer ligeira hipótese de desassossego seja com quem for (muito menos consigo próprio).

Quem retire (ao sr. Silva) a sólida convicção da indestrutibilidade da hierarquia dos valores cristalizados, quem ouse abalar os alicerces dos edifícios por ele congenitamente construídos, quem o desvie das inertes estruturas mentais em que a sua curta existência assenta, é de certo um horrível delinquente que deve ser banido do convívio dos restantes mortais (...)

(É provável que) esta obsessão da segurança, como preocupação máxima do homem 1973, venha a evoluir. Não por surgirem novo sistemas de valores, ou diferentes necessidades, ou guerras ou revoluções. Apenas por uma razão: o aborrecimento, a chatice, o tédio, a maçada

Aborrecimento de ver os dias sucederem-se sem que algo de excitante aconteça. Chatice de viver uma vida oca e sem sentido. Tédio de passar 60 ou 70 anos na Terra sem nada ter criado. Maçada de precisar embebedar-se ou drogar-se para sentir (...) Medo de mexer nas bases (de si próprio e da comunidade), por se querer cada vez mais ser igual ao próximo (o qual, por sua vez, quer acima de tudo ser igual aos outros).

As pessoas não conhecem a origem do seu tédio e geralmente não procuram descobri-la. Mas o facto indiscutível é que cada vez mais gente sabe que está chateada, sabe que a sua vida é monótona, sabe que amanhã será cruelmente igual a hoje como hoje foi igual a ontem (...)»

Francisco Pinto Balsemão, in Para uns sociedade sem chatice, Expresso, nº 28, 14 de Julho de 1973


Dedicada a todos os srs. Silva da minha vida e deste mundo. Eu prefiro continuar a ser assim - inserir aqui adjectivo "que pela sua mera utilização e propagação, traga a paz à consciência colectiva e individual e abafe qualquer ligeira hipótese de desassossego seja com quem for (muito menos consigo próprio)". Eu cá chamo-lhe ser livre e feliz.


E também tudo isto: 

Que tenho de ler...


Catarina Vilas Boas
Mas há gente nesta vida que simplesmente está a comer o pão que o diabo amassou porque o pão foi feito do trigo que semeou (cada um colhe o que semeia, perceberam? hã? o trocadilho?)

E depois deitam-se na cama que fizeram (viram? outra vez...) a chorar como bebés sem eira nem beira porque toda a vida foram habituados a levar vida de rei e agora são os matrapilhos que as contingências da vida fizeram nascer. Pois é! O mundo não é feito de papás e mamãs. Nem o deles, nem o meu, nem o de ninguém!

É o karma!! É aquela cena do "what goes around comer around"! E mais o outro de que "tudo o que se faz nesta vida paga-se nesta vida".

Mas aquele sentimentozinho de "a justiça foi feita" que me invade o coração é recebido por mim ambiguamente - por um lado é a alegria, por outro a culpa. Alegria porque vejo que afinal o mundo trata de remediar as coisas. Culpa porque estou a ficar satisfeita com a desgraça alheia.

Isso não me devia fazer sentir culpada, porque eu não tenho nada a ver com isso. Só observo!! Mas a sociedade diz-me que eu devo ter pena... E eu não tenho pena nenhuma! É o que é!

Se calhar sou má pessoa... Mas se sou também vou pagar! Essa é a beleza desta merda!!

Catarina Vilas Boas


Aquele momento em que estás tão perdida e tens tanta coisa para fazer que nem sabes por que ponta lhe hás-de pegar. O segredo é começar por partes, como a canalha a aprender a andar, um passinho pequenito de cada vez, até chegar à meta.

Não desesperar. Não atirar o magalhães emprestado pela minha prima contra uma parede só porque demora 5 minutos a abrir um PDF. Não chorar. Não chorar. Não chorar.

Fotocópias. Tirar muitas fotocópias. Eu consigo ler mais rápido do que o magalhães e também consigo sublinhar e ler mais páginas se elas estiverem em papel, na minha mãozinha.

Dores nas costas. 

O meu pai a ditar-me os artigos de opinião que eu tenho de analisar e que estou agora a passar para word. Sinto-me na escola primária.

Hidratos. Hidratos. Hidratos.

Dormir. Amanhã é outro dia. CO - RAGEM!

Catarina Vilas Boas 

Com tecnologia do Blogger.